Cristina Oliveira, treinadora que conduziu o Foca – Clube de Natação de Felgueiras a mais um título nacional de Inverno de natação sincronizada, conquistado recentemente em Santarém e Torres Novas, não esconde a satisfação por mais um feito desportivo e critica a dificuldade dos portugueses aceitaram o sucesso dos outros: “Vencer e ser superior para quem tem um grande historial de vitórias é muito difícil de «digerir» pelos adversários. E então se for um clube do norte do País pior…”.
A técnica felgueirense reconhece que manter o primeiro lugar e motivar atletas que já ganharam alguma prova é sempre mais difícil: “A pressão sobre um clube que é campeão nacional é superior a um que não o foi”.
Segundo Cristina Oliveira, o percalço ocorrido durante o campeonato, nomeadamente a falta de água na piscina de Santarém, “foi ultrapassado com sucesso” e estão “de parabéns os juízes, as atletas, os pais, os treinadores e a organização. “Compilar duas jornadas numa só tarde foi um grande esforço para algumas atletas que tiveram de realizar três provas com pouco descanso”, acrescentou.
“Segredo do sucesso reside “num treino completo”
Os treinos das felgueirenses constituem um grande problema para a sua evolução. Segundo Cristina Oliveira, “a escola nos dias de hoje vem em primeiro lugar e estudar é palavra-chave para faltar ao treino e nem sempre é uma verdade”.
As atletas treinam todos os dias, com duas horas dentro de água e 15 a 30 minutos de flexibilidade. A técnica refere que de 22 atletas “apenas duas ou três seguem o treino à letra”. “A grande parte das nadadoras falta duas ou três vezes por semana, sendo que os treinos cansam e por vezes é mais fácil ficar a ver TV”, acrescenta.
A treinadora do clube do Vale do Sousa considera que o segredo do sucesso do Foca reside “num treino completo, baseado em natação, flexibilidade, força específica e skills específicos da disciplina”.
Cristina Oliveira explica que os objetivos na natação sincronizada são “muito baixos” e isso “reduz a motivação das atletas”. “Com dois campeonatos por ano e apenas alguns torneios, não podemos evoluir. Isto é um ciclo. Se não existirem objetivos mais elevados, é impossível exigir mais horas de treino”, reconhece a técnica nortenha, que admite ainda a existência de um “baixo nível de competição de natação sincronizada em Portugal”, e como tal “os pais e as atletas acabam por não levar a sério os treinos”. “A família não abdica de tirar férias, participar em jantares, festas ou mesmo de ir às compras”, acrescenta a treinadora.
Cristina Oliveira diz que “ainda há muito por fazer e para evoluir e é preciso inovar os métodos de treino”. “As notas atribuídas durante os torneios são de 0 a 10 e atingir a perfeição é o grande objetivo da equipa felgueirense. Vencer os próximos campeonatos é a grande meta, tendo em vista o aumento do número de atletas e o seu nível técnico”, concluiu a técnica felgueirense.