António Machado: “Não se fez tudo para realizar o jogo”

O treinador do Clube de Natação da Amadora considera, em declarações ao Chlorus, que “não se fez tudo para realizar o jogo” do passado domingo, em Gondomar, em que a sua equipa feminina não apresentou o número mínimo (8) de jogadoras seniores, o que deverá significar uma derrota por falta de comparência na «secretaria» (decisão a ser tomada pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Natação).

 

“Vamos fazer uma exposição à Federação Portuguesa de Natação sobre a situação que ali se criou. Não se fez tudo para realizar o jogo. Eventualmente a decisão de validar o jogo deveria caber depois à Federação”, afirma António Machado.

 

Segundo o Regulamento de Competições Nacionais, o artigo 8.1 refere que “para efeitos de contabilização de jogadores, nos termos definidos no ponto 7 deste Regulamento, os clubes poderão requerer, em modelo próprio e no ato de inscrição da equipa, a passagem de jogadores à categoria imediatamente superior à correspondente à sua idade, até um máximo de três elementos”. O ponto seguinte indica que “esta subida de categoria tem carácter irreversível e será válida por uma época desportiva”.

 

Para António Machado, a atleta júnior Daniela Santos “era considerada sénior para o clube”, uma vez que os amadorenses não inscreveram, nesta temporada, uma equipa daquele escalão de formação. “ A nossa inocência é comprovada pela nossa saída de Lisboa para Gondomar. Se soubéssemos que não podíamos jogar, não iríamos para o Norte”, adianta o técnico.

 

“Vamos averiguar se efetivamente todos os clubes que têm jogadores nesta situação se o fizeram dentro do prazo regulamentar e se têm visto da FPN. Queremos que a Federação comprove que isso aconteceu”, refere o técnico da Amadora. E acrescenta: “Do que estava em cima mesa de jogo, no passado domingo, não vi nenhum carimbo da FPN nos documentos das duas jogadoras do Gondomar”.

 

António Machado não deixa de criticar “o poder absoluto” que “os homens de branco” parecem ter no polo aquático português: “Luís Santos queria pegar na maleta e ir-se embora mais cedo. Não digo que haja má vontade dos «homens de branco», mas esta época parece estar sempre a «tombar» para o nosso lado. Já no início de época fiquei impedido de participar como treinador da minha equipa. De um jogo de suspensão, que tinha de cumprir da época anterior, acabei por ser castigado com três jogos, quando nem sequer estava inscrito, por causa da arbitragem. Os árbitros parecem ter um poder absoluto na modalidade”.

 

O técnico amadorense recorda que no jogo frente ao Fluvial, do Campeonato Nacional masculino da 1.ª Divisão, “apenas havia um árbitro, quando o regulamento indica que devem ser dois”. “Se recusássemos jogar, teríamos que voltar ao Porto a meio da semana para disputar o encontro. Logo só poderíamos aceitar jogar com um árbitro. Nesse contexto, passou-se por cima do regulamento. O que quero dizer é que numas situações funcionamos dentro do bom senso, noutras temos de funcionar ao abrigo do regulamento”, reforça António Machado.

 

O treinador pretende ainda questionar a FPN se a subida de escalão (júnior para sénior) de Daniela Santos implica a não participação da jogadora na Seleção Nacional júnior no Campeonato Nacional Feminino. “Seria radical isso acontecer, prejudicial para a atleta, clube e Seleção, mas temos de questionar a Federação sobre todos estes elementos”.

Joaquim Sousa, Qua, 25/01/2012 - 01:11

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