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Palombella rossa

Palombella Rossa é um dos melhores filmes de Nanni Moretti. Michele Apicella, o protagonista interpretado por Moretti, na sequência de um acidente, fica sem memória. O filme inteiro ocorre durante um jogo de pólo aquático, no qual Michele tenta recuperar a memória perdida através de um ressurgimento de lembranças e de um “apagão” de realidade que não pode compreender e não reconhece. Este filme, fortemente político, mostra um jogador confuso com a sua existência, num caricato jogo de pólo aquático, onde Apicella critica fortemente a arbitragem, confundindo as suas dúvidas existenciais, com as escolhas da equipa de arbitragem.

O Pólo Aquático é uma modalidade que entrou nos Jogos Olímpicos em 1900 (na segunda edição dos jogos), é por isso um dos primeiros desportos colectivos olímpicos, carregando por isso um peso enorme para a modalidade. O jogo mais mediático da história é certamente a semi-final em 1956 entre a Hungria e a União Soviética. Este jogo ocorreu exactamente no mesmo momento em que se dá a revolução húngara e o mesmo jogo foi terminado 1 minuto antes do seu fim, para que também a “guerra” não se instalasse na piscina entre os adeptos húngaros e russos.

Desde o início da história da modalidade, e tão bem retratado no filme de Moretti, a autoridade do árbitro no jogo é inquestionável. São poucas modalidades em que se vê respeito pela equipa de arbitragem. Num jogo de futebol é fácil ver um jogador a desrespeitar os adversários e equipa de arbitragem sem ser punido por isso. Num jogo de pólo aquático, é dado adquirido que estas faltas de respeito são punidas de imediato.

A virilidade da modalidade é por isso acompanhada e actualizada com uma regulamentação activa por parte dos órgãos de arbitragem, trazendo para a modalidade uma equidade e clareza essencial à cultura desportiva da modalidade. 

Não basta a regulamentação ser actual sem que os elementos que a aplicam não estejam actualizados e preparados. Todos pretendemos uma evolução da modalidade, mas cabe à federação delegar às associações regionais e as instruir com ferramentas de formação para que os elementos de arbitragem façam cumprir as regras da modalidade. Fazendo um paralelismo com Carl Sagan na sua obra-prima Cosmos, um mau árbitro, aliás, um árbitro menos bem preparado pode arruinar num só ataque uma época de uma equipa! 

Uma má arbitragem pode influenciar um ataque, influenciar um golo, influenciar um resultado, estragar uma época a uma equipa.

É urgente o incentivo à arbitragem portuguesa, é urgente a actualização e formação de novos árbitros, cabendo à federação aliciar para esta competência mais e melhores elementos, devendo também o órgão gestor da arbitragem avaliar frequentemente o desempenho dos seus elementos com vista não a penalizar estes elementos, mas sim formá-los para que mais e melhores jogos possam fazer.

 

Artigo um pouco rebuscado mas

Artigo um pouco rebuscado mas muito interessante e bem escrito

Creio que as diferenças entre apitar jogos domesticos ou internacionais advêm do facto do arbitro ter um passado (ou ser simpatizante) "rosso" ou "nero", do qual se deveria sempre distanciar, sendo da responsabilidade das entidades competentes (que existem ou possam ate vir a ser criadas) zelar pela idoneidade e independencia destes.

arbitragem

Meus caros, delegar na FPN todas as responsabilidades não será a forma correcta de encarar a coisa, não acham?

É tão simples criticar e culpa, sem saber ou querer ver o que se tenta fazer e ninguém quer acompanhar!

Formação é feita, comunicação e circulares com alertas para as situações menos correctas são feitos, contactos com clubes e pessoas para formar mais árbitros são feitos.

O que se vê depois é uma falta de interesse das Associações Regionais e dos elementos que as compõem em formar novos árbitros, ou apostar em novos árbitros. Seja porque lhe sairá dinheiro do bolso se deixarem de apitar tanto por repartirem com outros, seja porque não tem interesse em formar fora da sua zona de conforto, seja porque estão simplesmente contra tudo e todos... e se acham donos da razão.

Ou pior ainda, formam rapidamente árbitros, que depois não colocam a apitar, porque os regionais são muito competitivos e precisam de internaicionais e nacionais a apitar. E os regionais? Onde vão praticar e evoluir? Ou acham que um árbitro se forma e é logo um bom árbitro???

Os próprios clubes que tanto falam contra a arbitragem são os primeiros a falhar, ao não investir em formações de arbitragem, em formar elementos para quadros regionais... sim, porque não somos natação e sabemos que os árbitros de pólo vem de atletas, treinadores e alguns (poucos) pais. E quantas formações se tentaram fazer sem que ninguém dos clubes aderisse? Quantos clubes há que ao fim de 2 anos ainda não tem pessoas habilitadas para fazer mesa, como indica o regulamento de competições aprovado pro todos?

Quanto aos elementos da arbitragem não estarem formados, trata-se de puro desinteresse da maioria deles nisso, pois além de lhes serem disponibilizadas formações, é-lhes disponibilizada informação sobre a maneira de procederem e de arbitrarem (circulares de abitragem, critérios, etc) - e o que se vê depois? Eles ignoram as instruções, agem como querem... causando confusão nas equipas e uma péssima imagem da arbitragem.

Numa coisa devo concordar com o que está escrito - enquanto a FPN não apostar em ter delegados aos jogos (verdadeiros delegados e não observadores), que avaliem as arbitragens, vai ser complicado acabar com os protagonismos de alguns e com a incapacidade de seguirem regras claras e objcetivas.

Mas, refiro novamente, por muitos pontos que à partida pareçam correctos neste artigo, acho que deveriam olhar primeiro para o umbigo e realidade, para o contributo de cada clube e entidade para a formação de árbitros e depois criticar, não?

Caro Bruno,   Este foi sem

Caro Bruno,

 

Este foi sem dúvida o teu melhor artigo. Podemos afirmar claramente, que a arbitragem Portuguesa é o calcanhar de Aquiles do Pólo Aquático nacional.

Sendo que infelizmente esta não tem acompanhado a evolução das equipas nacionais  (quer da primeira quer da segunda divisão) e infelizmente isso trás demasiados casos que poderiam ser facilmente evitados.

Nem mesmo na minha opinião, (não só como treinador, jogador e como ex-arbitro), nem os árbitros internacionais se têm safado, notasse que encontram-se uns furos bem abaixo das suas reais capacidades, pois por exemplo já vi o arbitro x arbitrar um jogo internacional e aqui em Portugal arbitra de maneira completamente diferente, sendo o diferente para pior.

Já estamos na altura da FPN perceber que tem de apostar na formação e na introdução de categorias para os árbitros bem como de delegados de forma a avaliar, não para penalizar, pois assim ficaríamos sem árbitros, mas para melhor a prestação deste.

Abraço,

Parabéns pelo artigo