Na senda do artigo de opinião anterior, importa reflectir de forma serena sobre o passado: recente; presente e estimativa de desenvolvimento dos futuros ciclos Olímpicos da natação Portuguesa.
A existência de programas funcionais de âmbito técnico e complementar na estrutura e dinâmica da natação Portuguesa é um instrumento indispensável para que os resultados surjam de forma a diminuir o «fosso» que nos separa da evolução que se constata na natação Mundial. O problema é este programas teimam em não surgir, ressalvando um ou dois pormenores que no seu conjunto não se traduzem em resultados palpáveis.
A questão é simples. Estamos ou não dispostos a fazer mais do que os outros para tentar, pelo menos diminuir este fosso?
É óbvio que existem propostas para as quais o movimento de desenvolvimento carece de outras, necessárias, mudanças no tecido desportivo Português e nos diferentes subsistemas que o compõe. Mas, quando a generalidade dos intervenientes no processo de preparação Olímpica, são unânimes em considerar que tais subsistemas respondem na exacta medida, às necessidades da preparação Olímpica, outros factores complementares devem ser analisados.
Como em tudo na vida, há que começar por uma análise extensiva, de carácter factual, mediante a análise ao historial de resultados Olímpicos comparando mais concretamente os últimos 20 anos deste ciclope de competições (Seoul 88 a Beijing 2008). Com base nesta análise seria importante apresentar propostas que, pela sua natureza, se confinam à capacidade de intervenção possível dos agentes desportivos associados a este fenómeno que é a natação.
Pelo menos no que se refere ao último ciclo olímpico, foi opinião consensual, quer dos responsáveis Políticos (Secretário Estado Juventude e Desporto), quer da delegação Olímpica (Comandante Vicente Moura), quer Federativos (Presidente FPN) quer de ex-desportistas de alto nível competitivo (Rosa Mota), que esta missão foi das que teve mais meios e instrumentos para alcance de resultados de nível.
Ainda em termos genéricos a apreciação que alguns presumíveis analistas fizeram, foi a de que esta preparação para Pequim-2008 mostrou, porém, que Portugal tem uma mão cheia de atletas de elite, como Nelson Évora, Vanessa Fernandes, Gustavo Lima, Naide Gomes ou Telma Monteiro, embora estas duas tenham fracassado na capital chinesa, mas falta uma retaguarda de nível médio superior que dê consistência à equipa.
Mais especificamente e no caso particular que nos interessa analisar, a natação, o seu presidente, refere (17 de Agosto de 2008, Lusa) que sai «satisfeito» de Pequim2008, porque foram conseguidos cinco recordes nacionais e duas classificações entre os 20 primeiros "nos Jogos Olímpicos mais competitivos de sempre", sendo que para ele e na sua análise esta foi a melhor presença olímpica da natação nacional em 20 anos, nos quais raramente alcançou lugares acima do 30.º posto, facto tão mais significativo quanto a natação deu um "salto qualitativo" nos últimos tempos.
O presidente da Federação Portuguesa de Natação (FPN) admitiu, porém, que é necessário "acertar o passo" com as potências internacionais, que falta "uma bandeira" à modalidade, como foi Alexandre Yokoshi na década de 1980.
Apesar de admitir a necessidade de "acertar o passo" com o que se passa a nível internacional, alertou que não se deve "esquecer qual é a posição da natação portuguesa relativamente às grandes potências, que também são os maiores países do Mundo".
A realidade é, porém, algo diferente. Quando analisamos os resultados dos últimos 20 anos (gráfico), podemos retirar as seguintes conclusões:
1. Os melhores jogos em termos de resultados desportivos (vide classificações) foram os jogos de Atenas/2004, não só pelas classificações obtidas como pela percentagem dos resultados até ao 24º quando comparados com os outros resultados.
2. Os Jogos Olímpicos de Pequim/08, foram os mais equilibrados em termos percentuais, com classificações ponderadas abaixo dos 24 (40%) e acima dos 24 (60%).
Existem, no entanto, outros argumentos que devem ser aduzidos. Neste caso específico quando nos reportamos aos Recordes Nacionais.
1. Todas as eliminatórias foram nadadas da parte da tarde e não de manhã, com tradução objectiva no estado de prontidão física do organismo;
2. Qualidade do Centro Aquático Nacional, designação oficial do Cubo Aquático, o mais ecológico de todos os edifícios olímpicos. Envolto em uma membrana opaca, possuía mais de três mil bolsas de ar feitas de plástico reciclado que copiam a organização das células dos seres vivos, factor nada estocástico para a prestação desportiva.
3. Fatos da moda e equipamentos desportivos com traduções directas senão na forma desportiva pelo menos nos resultados desportivos.
Esta é uma primeira análise. Outras relativas ao programas que efectivamente e no entender de quem os escreve são importantes se seguirão em futuras crónicas. Bons Resultados desportivos.