"O Golfinho de gibraltar”

A crónica que hoje redijo é um tributo, ao Homem, ao Mestre e ao Amigo, José de Freitas.

Não poderia deixar de relatar o privilégio que tive, no passado dia 1 de Maio, durante do XXXIII Congresso técnico Científico da APTN em Oliveira de Azeméis, ao presidir à cerimónia do lançamento de um livro de memórias de vida e obra de José de Freitas intitulado “Golfinho de Gibraltar”.

Citando…

O “Golfinho de Gibraltar” é, pois, a nosso ver, mais do que uma autobiografia, digamos que se mescla com um percurso de vida eivada de pragmatismo de uma personalidade adicta que se entrega à tarefa/desempenho com denodo. (…) É generoso, polémico, controverso e espontâneo muitas vezes, emotivo, afectuoso e sensível sempre que sente feridos os seus sentimentos. É, no entanto, independentemente do ponto de vista em que o analisemos, um vulto perfeitamente incontornável como cidadão, homem de família e relevante figura (In, introdução editorial, pp. 12).

Esta crónica, é por isso um tributo, pelo relato e a valorização do já vivido, por isso escrito, porque não se esgota na fragilidade de assumpções póstumas de uma percepção nublada de um passado distante.

É, também, um testemunho e exemplo da obra em que a vida se torna, quando segue aquilo em que acreditamos, sem querer impor nada aos outros. Simplesmente sermos. Simplesmente sermos o que somos sem pretensões.

A vida, por mais importantes que sejam as intenções e as acções com que se quer dar resposta às necessidades e aos anseios das comunidades, não se encerra nos limites institucionais, e o seu sentido só se recorta com nitidez quando, aquém e além dos projectos colectivos se têm em conta as pessoas que, individualmente, são, afinal, a sua razão de ser e a condição, primeira e última, de tudo o que importa fazer.

Por vezes, a maior parte das vezes, aliás cometemos, neste particular, dois erros crassos.

Por um lado, de tal forma enredados em jogos florais e conversas de caserna, temperados pela pimenta que aguça o apetite de uma língua assertiva (às vezes boa, outras vezes má) tendemos a viver demasiado focados nos processos e objectivos e a esquecer as pessoas.

Por outro, quando nos lembramos das pessoas e do seu legado em vida, só temos tempo, porque o tempo se esvai, de recordando comovidamente e sabedores da nossa transitória condição de elos na cadeia perene em que as aspirações sucumbem e renascem, evocar, normalmente de forma saudosa, os que antes de nós fizeram para que nós, no presente, e depois de nós, no futuro, existamos.

Por isto, esta homenagem. Pela valia ímpar do legado que diariamente nos deixa e pelo seu exemplo, que nos anima e dignifica, permito-me utilizar o nome da comunidade da natação para expressar, de modo simples, mas sentido, como só os simples podem sentir, as nossas sentidas homenagens e o profundo bem-haja, em vida, por tudo o que fez pela nossa causa.

E porque o tempo é inexorável, muitos outros vão já, igualmente, fazendo parte definitiva desta gesta.

É de justiça renovar, para alguns já uns in memoriam, as suas vidas e prestar-lhes tributo, de modo singelo e despojado, como singela e despojadamente foram deixando as obras em que cunharam o corpo e o espírito da natação Portuguesa como marcas indeléveis de um pioneirismo que toda uma comunidade usufrui e que vem continuamente ganhando maturidade.

Que nesta simples homenagem a José de Freitas outros se revejam. Eu revejo-me!

Obrigado!

 

António José Silva, Ter, 18/05/2010 - 00:09

Olá a todos. Tive também o

Olá a todos.

Tive também o privilégio de estar presente no APTN e adquiri a sua obra.

Ainda não terminei de a saborear.

Mas de facto todos os elogios enunciados, não só pelo Tózé, mas na introdução editorial (e outros testemunhos) são merecidos e absolutamente reais.

Obra obrigatória para toda a comunidade natatória (já vou re-contando algumas histórias da obra aos meus Cadetes!).

ABRAÇOS 

Nabaiji