Último jogo de Portugal no Campeonato da Europa e possibilidade de averbar a 2.ª vitória. Em disputa o 13º e 14º lugares. Portugal começa bem o jogo, defendendo em pressão a todo o campo, obrigando a Suécia a jogar longe da baliza. Uma pressão que dava resultado, onde mais uma vez os primeiros ataques suecos eram consecutivamente anulados, quer através de “turnovers”, quer por falhas técnicas ou por remates inofensivos.
Imprimindo desde cedo o seu ritmo, a seleção portuguesa acaba por tirar partido do seu jogo, utilizando muito a pivot para conseguir situações de superioridade numérica. E o +1 português parecia querer dar resultado, tendo o primeiro golo sido conseguido através de uma situação de superioridade numérica estática, onde Portugal aproveitou a lentidão da defesa sueca para fazer o seu primeiro golo. Apesar de dominar o jogo, Portugal apenas consegue o seu segundo golo, perto do final, e novamente numa situação de +1. Não era o +1 que se queria, mas tinha a sua eficácia.
A defender, Portugal joga muito coeso, com boas trocas defensivas, compensações defensivas na recuperação, e apesar de ter sofrido um golo em contra-ataque, fruto de uma perda de bola, Portugal chega ao 2-3 em mais uma situação de superioridade aproveitada já após os 20’’ de exclusão com a defensiva sueca ainda organizada em -1.
Em situação de inferioridade numérica (-1), Portugal joga muito estático, não havendo movimentações no sentido de atacar o portador da bola ou flutuações defensivas em bloco. Uma defesa pouco móvel a convidar ao remate de fora.
Foi deste modo que a Suécia equilibra de novo o jogo e aproveitando nova falha técnica de Portugal que perde a bola, coloca-se em vantagem. Continuando sempre a sua pressão, Portugal recuperava rapidamente a bola e numa situação de contra-ataque direto (excelente passe da guarda-redes) empata o jogo. Esta era a fase mais equilibrada da partida.
Aproveitando uma situação de superioridade numérica (2x1), na esquerda do ataque, Portugal coloca-se em vantagem.
Na 2.ª metade do jogo, as coisas alteram-se e vem ao de cima as debilidades do +1 português, não tendo conseguido finalizar com sucesso as cinco situações criadas. Portugal perde ânimo, desorganiza-se defensivamente, permitindo à Suécia fazer jogo interior, sem ajudas, originando grandes penalidades.
Campanha portuguesa
Se atendermos ao objetivo traçado no início do campeonato - entre o 9º e o 12º lugar -, torna-se evidente que a campanha portuguesa foi negativa. No entanto, e atendendo às particularidades do polo aquático feminino em Portugal, cada vez com menos equipas e menos atletas, assim como um regulamento restritivo, a prestação foi… a adequada. Considero até que a produtividade da equipa veio a crescer ao longo dos jogos, apesar de, e continuo a repetir, ser uma equipa com muitas lacunas, principalmente a nível técnico, que necessita de trabalhar bem o passe e a receção, fundamentais para se jogar. O facto de estas jogadoras não terem qualquer experiência internacional também pesa na prestação da equipa: as equipas, os árbitros, o próprio ambiente que se vive numa competição deste género em nada tem a ver com aquilo que conhece do polo aquático em Portugal.
De uma maneira geral, o nível competitivo deste campeonato estava tripartido: por baixo, com Portugal, Turquia, Ucrânia, Suécia, França e Eslováquia. Depois surgem algumas seleções como a Inglaterra, Servia, República Checa e Alemanha de nível aproximado e no topo, mas com grande diferença qualitativa relativamente às restantes seleções, a Espanha, Rússia, Grécia, Hungria, Itália e Holanda.
Pela primeira vez, um campeonato europeu desta categoria com 16 equipas, mas que provou ser bastante desequilibrado. Penso que se, no futuro, surgirem mais seleções, se possa criar - como já houve a nível sénior – duas divisões de modo a equilibrar mais a competição.